Conheça o Peugeot 3008DKR Maxi, o vencedor do Rali Dakar 2018

 In 3008, Peugeot

A Peugeot foi a grande vencedora do Rali Dakar 2018 com o 3008DKR Maxi.

No caminho de terra, a quase 200km/h, a suspensão de enorme curso vai desenhando o contorno das crateras, enquanto a carroceria, lá no alto, mal se move. Daí vêm trechos com dunas em que o carro salta como gafanhoto sobre areia quente. Mais adiante, um poço de lama — mas o projeto mecânico é tão bom que supera o atoleiro sem apelar para tração 4×4.

No último sábado, o espanhol Carlos Sainz, de 55 anos, sagrou-se campeão na categoria carros da edição 2018 do Dakar, o mais destruidor dos ralis. Dos 92 carros que partiram de Lima, no Peru, em 6 de janeiro, apenas 43 (47%) conseguiram receber a bandeirada final em Córdoba, Argentina, depois de 14 etapas e 8.793km (sendo 4.329km cronometrados de “pé embaixo”).

Mas o que nos interessa aqui são os aspectos técnicos do carro vencedor, o Peugeot 3008DKR Maxi. Desenvolvido para a competição, nada tem em comum com seu homônimo, o Peugeot 3008 fabricado em série na França (e vendido no Brasil por R$ 143 mil). Ou melhor: os contornos da grade, dos faróis e das lanternas traseiras são parecidos…

Em vez de monobloco de aço, o carro feito para o Dakar tem uma gaiola tubular coberta por painéis de fibra de carbono — os modelos construídos para a edição deste ano são 20cm mais largos que os usados em 2017, aumentando a estabilidade (a carroceria já não se inclina tanto nas curvas). A essa estrutura vão acopladas as supensões de braços sobrepostos, com molas helicoidais e dois amortecedores por roda.

Montado em posição central, logo atrás da cabine, vai o motor V6 a diesel, de 2.993cm³. Trata-se de uma versão bem mexida do propulsor “Lion” DT17, desenvolvido conjuntamente por Ford e PSA, entre 1999 e 2004, para equipar carros de rua como Citroën C5, Peugeot 407, Land Rover Discovery 4 e Jaguar XF.

Com dois turbocompressores, a versão usada no 3008DKR deste ano foi “fuçada” para alcançar 345cv de potência e 81,5kgfm de torque — para comparar, esse V6 rendia 254cv e 60kgfm no Discovery 4.

Para dar conta do consumo gargantuesco e das longas etapas do rali, o tanque tem capacidade para 400 litros.

A caixa sequencial tem seis marchas e a tração é apenas nas rodas traseiras. Entre outros motivos, o sistema 4×2 foi escolhido para evitar conexões mecânicas no eixo dianteiro, reduzindo as probabilidades de quebras na prova. Além disso, sem os eixos de transmissão na frente, ganha-se em curso de suspensão: incríveis 46cm, contra 25cm. Por fim, pelo regulamento do Dakar, os carros 4×2 tinham mais liberdade de preparação que os 4×4.

Pneus BF Goodrich na medida 37×12.5 R17 (o equivalente a 320/80 R17) garantem a aderência em terra, lama e areia. Dois estepes montados em pé, nas laterais do carro, ajudam a evitar que o chassi “ancore” no meio de alguma duna — afinal, são 3m de entre-eixos. Tal solução, aliás, era usada nos jipes alemães Tempo G1200, de 1937.

Com 4,31m de comprimento, 2,40m de largura e 1,79m de altura (contra 4,45m, 1,84m e 1,62m de um Peugeot 3008 de rua), o carro do Dakar tem espaço apenas para o piloto Sainz e o navegador Lucas Cruz. E nada daquele caprichado painel futurista do modelo feito em série. O que se vê na cabine são placas de fibra de carbono com telas digitais e chaves por todo canto.

Preso em seu cinto de cinco pontos, tendo ao lado uma comprida alavanca de câmbio típica de carros de rali (o topo fica bem perto do volante), o piloto pode fazer vários ajustes dinâmicos.

Parabéns Equipe Peugeot. Grande vencedora do Rali Dakar 2018

 

Fonte: O Globo | por Jason Vogel

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